histórias / stories

E se fosse o seu filho? / What if it were your child? (Flaviana)

E se fosse seu filho?

Por Flaviana Oliveira

Eu nunca imaginei que para criar minha filha com dignidade, iria ter que brigar tanto com a sociedade por falta de amor, por tanto preconceito, desunião, falta de boas políticas públicas, falta de inclusão. E sim, estou tendo que brigar, e muita, porque minha filha nasceu atípica com necessidades especiais, com a Síndrome Congênita do Zika Vírus, por um descaso do Governo, e tem que pagar ainda o preço no lugar deles.

Sem um lazer digno adaptado ainda, com vários olhares de discriminação, com rejeição. Eu sou a amiga dela pois acham que ela não será o par perfeito em um parque. Então eu viro o par perfeito dela.

Ela não tem uma cadeira adaptada para entrar no mar. Com isso damos nossos jeitinhos dela tomar um banho de mar que ela ama. Super se diverte! Mas as perguntas vem: “Mas ela pode? Ela fica na boia? Ela fica no sol? Ela fica na piscina?”

Enfim, por quê não ficaria? Eis a pergunta! 🤷🏽‍♀

Transporte público: nosso grande desafio do dia a dia. Brigas com rodoviário que não se acha na obrigação de operar esse o elevador que está ali justamente para pegar cadeirante, que não para no ponto quando vê um cadeirante, que não espera a gente sentar quando entramos no coletivo, que nos dizem desaforo porque somos “passe livre”.

E o que dizer? Eu sempre faço a pergunta: “E se fosse você no lugar dela? E se fosse o seu filho?” Mas amor pelo próximo o mundo precisa e nós agradecemos. 💪🏼🙌🏼🥰

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PORTUGUÊS: Esta é uma série de três fotos de Jhulia sobre as quais Flaviana superimpôs textos curtos. A primeira (superior meio) é uma foto de Jhulia sentada na sua cadeira de rodas num ônibus público em Salvador. Jhulia olha diretamente para a câmera, suas sobrancelhas levemente franzidas e a boca aberta, como se estivesse se queixando do passeio turbulento. Sua mão esquerda descansa sob o peito, e usa uma pulseira rosa. Seu cabelo está preso num rabo-de-cavalo alto, e usa uma camiseta colorida. O cinto que a segura na cadeira de rodas é preto e roxo escuro. Superimposto na foto estão as palavras: “Eu fico irritada com o balanço muito rápido do ônibus pois estou em uma cadeira de rodas. Seu rodoviário, e se fosse o seu filho, vc iria correr desta forma?” Na segunda foto (inferior esquerdo), Flaviana e Jhulia estão no parquinho num dia de sol. Jhulia está sentada no escorregador de plástico laranja, e Flaviana segura ela levemente para ajudá-la a descer devagar. Jhulia olha para baixo e sorri. Ela usa uma camiseta rosa, jeans, e tênis rosa, e um laço grande e verde no cabelo. Flaviana também sorri, olhando para a filha. Ela usa uma camiseta vermelha e calça preta ajustada. Seu cabelo alisado alcança a metade do peito num cabo-de-cavalo, e tem uma tatuagem grande no braço superior esquerdo. Há árvores verdes no fundo da foto, atrás delas. O texto superimposto é: “Eu busco inclusão nos parques para minha filha vítima [do] descaso do governo que nasceu com a síndrome congênita do Zika vírus. E se fosse o seu filho?” Na terceira e última foto (inferior direito), Jhulia está na água na praia, nos braços de alguém que não aparece na foto. O sol brilha sob a água esverdeada, e no fundo aparece as costas de uma mulher em traje de banho que também está aproveitando a água. Somente a parte superior de Jhulia é visível, pois a parte inferior está submergida. Ela usa um bikini de estampa branco e azul, e um laço grande e branco segura seu cabelo. Ela leva um sorriso grande no rosto, a boca aberta, olhando para algo ou alguém do lado da câmera. O texto superimposto diz: “Nas praias ainda não há aparelho adaptado para mim fica[r] no mar, por isso tenho quer [sic] ir no colo, com muitas restrições e medo pela minha limitação.” Todas as fotos pela autora. // ENGLISHThis is a series of three photos of Jhulia on which Flaviana superimposed short texts. The first (top middle) is a photo of Jhulia sitting strapped into her wheelchair on a public bus in Salvador. Jhulia is looking straight at the camera, her eyebrows slightly scrunched together and her mouth open, as if complaining about the bumpy ride. Her left hand is resting on her chest, and she is wearing a pink bracelet on her wrist. Her hair is pulled back into a high ponytail, and she is wearing a colorful pastel t-shirt. The strap securing her in her wheelchair is black and dark purple. Superimposed on the photo are the words (translated): “I get irritated with the very fast rocking of the bus, since I am in a wheelchair. Mr. busdriver, what if it were your child? Would you go so fast?” In the second photo (bottom left), Flaviana and Jhulia are at the playground on a sunny day. Jhulia is on an orange slide attached to a colorful plastic jungle gym, and Flaviana is gently holding her to help her slide down slowly. Jhulia is looking downward and smiling. She is wearing a pink t-shirt, blue jeans, and pink sneakers, and she has a big green bow in her hair. Flaviana is also smiling, looking down at her daughter. She is wearing a red t-shirt and fitted black pants. Her straightened hair hangs down to the middle of her chest in a long ponytail, and she has a large tattoo on her left upper arm. There are green trees in the background behind them. The superimposed texts reads: “I seek inclusion in playgrounds for my daughter, victim of the state’s negligence, who was born with Congenital Zika Syndrome. What if it were your child?” In the third and final photo (bottom right), Jhulia is in the water at the beach, held in the arms of someone who doesn’t appear in the frame. The sun glistens on the greenish water, and in the background there appears the upper back of a woman in a bathing suit who is also enjoying the water. Only the upper part of Jhulia’s body is visible, since the bottom half is submerged. She is wearing a blue-and-white printed bathing suit and a big white bow pulls her curly hair away from her face. She is smiling widely, her mouth open, her eyes looking at something or someone next to the camera. The superimposed text reads: “On the beaches there still isn’t equipment adapted so I can be in the ocean, so I have to go in someone’s arms, with a lot of restrictions and fear for my limitation.” All photos by the author.

 

What if it were your child?

Por Flaviana Oliveira

I never imagined that in order to raise my daughter with dignity, I would have to fight so much with society over lack of love, over so much prejudice, disunion, lack of good public policies, lack of inclusion. And yes, I’m having to fight, a lot, because my daughter was born “atypical,” with special needs, with Congenital Zika Syndrome, because of the Government’s negligence, and she’s the one who has to pay the price.

Without dignified, adapted leisure, with various discriminatory looks, with rejection. I am her friend on the playground because others think that she would not be the perfect play buddy. So I become her perfect play buddy.

She doesn’t have an adaptive chair to go in the ocean. We do our maneuvering so she can bathe in the ocean water, which she loves. She has so much fun! But the questions come: “But… can she? Can she be in the float? Can she be in the sun? Can she be in the pool?”

Well, why wouldn’t she? That’s the question! 🤷🏽‍

Public transport: our great challenge every day. Arguments with bus drivers who don’t think themselves obligated to operate the elevator that is there precisely to lift wheelchair users, who doesn’t stop at the bus stop when he sees a wheelchair user, who doesn’t wait for us to sit when we get on the bus, who insult us because we are “free pass” riders.

And what to say? I always ask the question: “What if it were you instead of her? What if it were your child?” But love for thy neighbor is something the world needs, and something we would be thankful for. 💪🏼🙌🏼🥰

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Melhor colo do mundo / The Sweetest Embrace (Flaviana)

English version below

O melhor colo do mundo

Por Flaviana Oliveira

Sabe aquele momento que você precisa de colo?

E Deus lhe dá o melhor colo do mundo enviado por uma pessoinha maravilhosa que me enche de amor quando estou naqueles dias de dúvidas, se consigo me manter de pé na luta tão rigorosa e desgastante, muitas das vezes cansada de uma semana pesada, e ela vem com carinho, beijos, aconchego, como se dissesse, “Fica assim não, estou aqui”.

Sabe por quê não me preocupo tanto em ela ainda não falar?

Porque as atitudes dela valem mais do que palavras. Me enchem de forças e fé para continuar. Obrigada por ter me escolhido para ser sua mãe! 🙌🏼💪🏼👩‍👧🥰💘

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PORTUGUÊS: Nessa série de quatro fotos, Flaviana e sua filha Jhulia estão deitadas num sofá com almofadas de estampa floral. Só suas cabeças e torsos estão visíveis em qualquer uma das fotos. Na primeira (superior esquerdo), a cabeça de Jhulia está mais perto da câmera e seu rosto está voltado para o lado oposto da câmera, contemplando o rosto da mãe. Seu braço direito está levemente estendido e sua mão descansa na bochecha da mãe como se estivesse confortando-a. O rosto de Flaviana está voltado para a câmera, seus olhos estão fechados, e parece estar em paz. Na segunda foto (superior direito), a boca de Jhulia está sob a sobrancelha da mãe como estivesse beijando-a na testa. O rosto de Flaviana está voltado para Jhulia e sua mão direita está visível no canto inferior esquerdo da foto, acariciando a orelha da filha. Na terceira (inferior esquerdo), Jhulia, a cabeça levemente borrada na foto, parece estar beijando a pálpebra da mãe, sua pequena mão direita acariciando a mandíbula de Flaviana, e o rosto de Flaviana parece estar se movendo em direção a Jhulia, seus lábios fazendo beicinho. Na quarta e última foto (inferior direito), Jhulia de novo parece estar beijando a testa da mãe e talvez com o olhar fixado na distância, enquanto Flaviana, seus olhos fechados, se aninha seu rosto levemente no pescoço da filha. // ENGLISH: In this set of four photos, Flaviana and her daughter Jhulia are pictured lying down on a sofa with floral-printed pillows. Only their heads and upper bodies are visible in any of the photos. In the first photo (top left), Jhulia’s head is nearest the camera and her face is turned away from the viewer, gazing at her mother’s face. Her right arm is slightly outstretched and her hand rests on her mother’s cheek as if soothing her. Flaviana’s face is turned toward the camera, her eyes are closed, and she looks peaceful. In the second photo (top right), Jhulia’s mouth is placed over her mother’s eyebrow as if kissing her on the forehead. Flaviana’s face is turned toward Jhulia and her right hand is visible in the bottom left corner of the frame caressing her daughter’s ear. In the third photo (bottom left), Jhulia, her head slightly blurred in the frame, appears to kiss her mother’s closed eyelid, her small right hand caressing Flaviana’s jawbone, as Flaviana’s face appears to move toward Jhulia with her mouth puckering into a kiss. In the fourth and final photo (bottom right), Jhulia again appears to be kissing her mother’s forehead and perhaps looking off into the distance, while Flaviana, her eyes again closed, snuggles her face gently into her daughter’s neck.

 

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O melhor colo do mundo

Por Flaviana Oliveira

You know when you just need a hug*?

And God gives you the best hug in the world, given by a wonderful little person who fills me with love when I am having one of those days of doubt, not knowing if I’ll be able to keep going in the rigorous and exhausting struggle, often tired from a heavy week, and she comes with affection, kisses, comfort, as if to say, “Don’t worry, I’m here.”

Do you know why I’m not that worried that she doesn’t speak yet?

Because her attitudes are worth more than words. They fill me with strength and faith to keep going. Thank you for choosing me to be your mother! 🙌🏼💪🏼👩‍👧🥰💘

 

* In Portuguese, the word Flaviana uses is colo (lap or bosom). When someone holds a child in their arms or on their lap, they are “giving the child colo” — dando colo. To give colo has a distinctively maternal ring to it, but the term may also be used when someone seeks comfort in or gives comfort to another person. Here, Flaviana is using colo in the opposite way one might imagine, given the normative social roles of mothers and children: instead of her embracing and comforting her daughter, her daughter embraces and comforts her. Given the complexities of the term colo, I have opted to simplify to “hug.”

 

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Boneca / Doll (Joana)

Boneca

por Joana Passos, mãe de Gabriela e Alice

Joana’s Porque toda criança tem o direito de brincar! Gabi adora uma boneca!

 

 

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Video de Gabi fazendo uma sessão de fonoaudiologia com a sua boneca. No video se vê Gabi, vestido de rosa, abraçando uma boneca de bebê e sorrindo levemente, enquanto a terapeuta, do lado esquerdo, vestido de camisa amarela e verde e usando um óculos, canta a música, “O que que tem na sopa do neném?” Video feito pela autora no celular.

Doll

by Joana Passos, mother of Gabriela and Alice

Because all children have the right to play! Gabi loves dolls!
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Video of Gabi in a phonology and audiology session with her doll. In the video is Gabi, dressed in pink, hugging a baby doll and smiling subtly, while the therapist, on the left-hand side, dressed in a yellow-and-green shirt and using glasses, sings (in Portuguese) the song, “What’s in the child’s soup?” Video taken by the author on her cell phone.

Cheirinho / Smell (Mila)

Cheirinho

por Mila Mendonça, mãe de Gabriel e Bia

E chego em casa naquela correria do dia a dia. Não consegui fazer atividade física, deixe mil pendências no escritório. Tenho que almoçar em 30 minutos e correr pra levar Bia para a rotina da tarde. Mas essa paradinha no sofá, sentindo esse cheirinho e renovador!!!

Smell

by Mila Mendonça, mother of Gabriel and Bia

And I come home in that day-to-day rushing around. I wasn’t able to get any exercise, and I left a thousand undone to-do’s at the office. I have 30 minutes to eat lunch and run to take Bia to her afternoon activities. But this stop-off at the sofa, taking in [my son’s] smell, is rejuvenating!!!
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PORTUGUES: Mila beija seu filho Gabriel na bochecha enquanto ele ri, um grande sorriso e uma expressão de alegria no rosto. Na foto só se vê os rostos dos dois. Gabriel está deitado num sofá branco, e usa uma camisa vermelha. O rosto de Mila está por cima dele, o cabelo caindo sob Gabriel enquanto ela o beija. Foto pela autora. / ENGLISH: Mila kisses her son Gabriel on the cheek while he laughs, a big smile and an expression of happiness on his face. In the photo you can only see their faces. Gabriel is lying on his back on a white sofa, and he is wearing a red t-shirt. Mila’s face is above him, her hair falling onto Gabriel as she kisses him. Photo by the author.

Menos deuses, mais humanos / Less gods, more human (Mara Rúbia)

Menos deuses, mais humanos

por Mara Rúbia Oliveira, mãe de Benjamin

No seu primeiro post para o projeto After Zika, Mara contou a história da sua gravidez e como recebeu o diagnóstico de microcefalia do seu filho, Benjamin. Neste post, ela relembra o momento da notícia e da maneira insensível que foi dada, e faz um apelo aos profissionais de saúde a adequarem as suas práticas de comunicação, e às mães a não desistirem dos seus filhos apesar do que os médicos falem.

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“Mãe, o cérebro dele é mais água que massa…” Um neurocirurgião me falou enquanto fazia analogia com um rolo de Micropore.

O que fazer, após 40 dias de UTINeo, duas cirurgias (persistência do canal arterial e hérnia), PCR’s*, dentre outras intercorrências e ouvir um diagnóstico desse?! Chorar??? Não! Eu não chorei (mas poderia ter desabado, isso não seria problema). [Uma amiga] dizia que eu ficava ali olhando Ben e não chorava, mesmo quando vinham as bombas médicas. Não estou me valendo por não ter chorado, mas durante a gravidez pedi forças a Deus para suportar tudo o que passava (ameaças de aborto espontâneo e hematoma subcoriônico).

As palavras de um médico podem te parar ou impulsionar. Ouço diversas mães que são violentadas com palavras em hospitais e centros de referência em reabilitação. .
As palavras de UMA médica me impulsionou a fazer o que faço hoje e termos os resultados que temos hoje. Ela, Dra. Anita 🤗🤗 e Daniela** me disse palavras que me impulsionaram a persistir, mesmo diante das adversidades. Outra pessoa ímpar nessa caminhada é Carolina, nossa TOP que sempre acredita no Benjamin, mesmo quando os resultados parecem distantes.

Já tive com terapeuta que ratificava pra mim as limitações de Ben, o que eu já sabia!!! Eu não quero focar nas limitações dele e sim no que podemos ganhar! E nisso persisto todos os dias.

Então, você que é mãe de uma criança com necessidades especiais, NÃO DESISTA! Persista mesmo que pareça impossível. Busque estar com profissionais que acreditem no mínimo potencial do seu filho. Pois esse mínimo pode ser o máximo para vcs. Avante com fé.

Aos profissionais da saúde, sejam menos deuses e mais humanos. Inúmeros casos mostram que tudo pode mudar! Não falo em dar falsas esperanças, mas não tirem o chão de quem já precisa sustentar uma carga emocional tão grande. Sejam humanos, só isso. Pensem: “e se fosse meu filho?” Você gostaria de ouvir o que vc tem falado???

Fica a dica!

 

*Aqui, “PCR” se refere ao exame que mede a quantidade de proteína C-reativa (PCR) no sangue, principalmente para determinar o risco de doenças cardiovasculares (do coração). A PCR é uma proteína produzida pelo fígado que se encontra em quantidades maiores no sangue quando há a presença de alguma infecção ou inflamação.

** Esses nomes (Dra. Anita, Daniela, Carolina) são fictícios. Se referem a profissionais de saúde que acompanham Benjamin.


Less gods, more human

by Mara Rúbia Oliveira, mother of Benjamin

In her first post for the After Zika project, Mara told the story of her pregnancy and how she received the news that her son, Benjamin, had microcephaly. In this post, she remembers the moment she found out and the insensitive way it was given, and she appeals to healthcare professionals to rethink their communication practices, and to mothers to not give up on their disabled children despite what the doctors say.

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“Mother, his brain is more water than gray matter…” a neurosurgeon told me while he compared my son’s brain to a roll of Micropore tape.

What to do, after 40 days in the NICU, two surgeries (patent ductus arteriosus and hernia), CRPs*, among other complications, when you hear a diagnosis like that?! Cry??? No! I didn’t cry (but I could have fallen apart, that wouldn’t have been a problem). [A friend] said that I stood there watching Ben and didn’t cry, even when the doctors kept delivering bad news, but during the pregnancy I asked God for the strength to bear everything that was happening (threats of miscarriage and subchorionic hematoma).

The words of a doctor can stop you in your tracks or encourage you. I hear about various mothers who are tormented (violentadas) with words in hospitals and rehabilitation centers.

The words of ONE woman doctor encouraged me to do what I do now and to have the result that we have today. Dr. Anita 🤗🤗 and Daniela** said those words that encouraged me to persist, even in the face of adversities. Another unmatched person in this journey is our INCREDIBLE Carolina, who always believes in Benjamin, even when the results seem distant.

I’ve seen therapists who have simply confirmed to me Ben’s limitations, which I already knew!!! I don’t want to focus on his limitations, but instead on what we can achieve! And I persist in that every day.

So, you, mother of a child with special needs (necessidades especiais), DON’T GIVE UP! Persist even though it seems impossible. Seek out professionals who believe in even the most minimal of your child’s potential. Because even that minimal could be huge for you. Go forth with faith.

To healthcare professionals, try to be less gods and more human. Countless cases show that everything can change! I’m not talking about encouraging false expectations, but don’t take the rug out from under those who already have to shoulder a heavy emotional burden. Just be human, that’s all. Think: “what if it were my child?” Would you like to hear what you just said???

Just an idea!

 

*  Here, “CRP” refers to the exam that measures the amount of C-reactive protein (CRP) in the blood, usually to determine a patient’s risk of cardiovascular (heart) diseases. CRP is a protein produced by the liver that is found in larger quantities in the blood when an infection or inflammation is present.

** These names (Dr. Anita, Daniela, Carolina) are fictitious. They refer to healthcare professionals who work with Benjamin.

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PORTUGUES: O resultado de uma tomografia do cérebro de Benjamin, de quando era recém nascido, mostrando uma grande área branca que o médico disse ser “água”. Fundo preto com imagem embaçada de um corte transversal de um cérebro em branco e cinza. Foto pela autora. / ENGLISH: A CT scan of Benjamin’s brain, taken when he was a newborn, showing a large white portion that the doctor said was “water.” Black background with a blurry image of a cross-section of a brain in white and gray. Photo by the author.

Desabafos / Venting (Jéssica)

Desabafos

por Jéssica Valdinucci, mãe de Aila

Foi um dia estranho… Hoje acordei um pouco cansada após um dia corrido ontem. Tive sonhos ruins e acordei várias vezes durante a noite; isso me faz acordar um pouco quebrada. Ao dar o banho de Aila ela mordeu seu dedo, ela chorou bastante e teve convulsões!

A verdade é que quando Aila convulsionou pela primeira vez eu não me desesperei tanto. Meio que já previa que isso iria acontecer, porém não tinha a mínima noção dos danos que isso trazia. Eu sabia como agir no momento, para onde levar e a quem recorrer, sabia que aconteceria outras vezes. Mas não imaginava que seria tantas outras vezes em apenas um dia. Pensei que com o passar do tempo eu conseguiria lidar melhor com aquela situação–não que viraria algo comum, mas que conseguiria controla melhor aquela mistura de angústia, desespero e medo… Três anos se passaram, após muitas tentativas de controlar suas convulsões, algo fez melhorar–a dieta cetogênica trouxe muitos ganhos para Aila, e aquela fase de crises diárias havia passado… até agora.

Nos últimos meses tudo voltou, de maneira sutil: umas aqui, outras ali, muda remédio, troca remédio, tira remédio, faz exames… “É apenas uma crise de escape, vai passar,” eles disseram… E essas crises foram se arrastando dia após dia, junto com o meu coração. Até que hoje, dois meses de crise, percebi que o meu mundo estava caindo novamente! Eu não consegui lidar melhor com aquela situação que era tão “comum,” quando me dei conta meus olhas já estavam cheio de lágrimas, e ali meio debruçada, agachada em seu berço e segurando seus braços para lhe passar segurança, vendo em seus olhos medo e dor, mais uma vez meu mundo caiu!

Não desejo esse sentimento a nenhuma mãe, não desejo essa situação para nenhum filho. Só quero que passe, tenho sentido ela muito estranha, algo está mudando nela. Apenas quero que essa fase seja uma daquelas que não demore de passar, pois para mim já durou uma eternidade de lágrimas.

 


Venting

by Jéssica Valdinucci, mother of Aila

It was a strange day… Today I woke up a little tired after a busy day yesterday. I had bad dreams and I woke up several times during the night; that makes me wake up a little “broken” (quebrada). When I was giving Aila a bath, she bit her finger. She cried a lot and had seizures!

The truth is that when Aila seized the first time I didn’t worry too much. It was sort of like I already knew that was going to happen, even though I didn’t have the slightest idea of the damage it could bring. I knew what to do in the moment, where to take her and whom to ask for help. I knew that it would happen more times, but I didn’t imagine that there would be so many more times in just one day. I thought that as time went by, I would be able to deal with that situation better, not that it would turn into something common but that I would be able to better control that mixture of anguish, desperation and fear… Three years have gone by. After many attempts to control her seizures, something made her better–the ketogenic diet brought many benefits to Aila, and that phase of daily seizures had passed… until now.

In the past few months everything came back in a subtle way: some here, others there, change dosage, switch out medication, take her off medication, do exams… “It’s just an escape seizure, it’ll pass,” they said… And these seizures went dragging on day after day, and my heart went with them. And today, two months of seizures, I saw that my world was collapsing again! I wasn’t able to deal with that situation that was “so common.” When I realized it, my eyes were already full of tears. And there, sort of bent over, crouching at her crib and holding her arms to give her security, seeing fear and pain in her eyes, once again, my world collapsed!

I don’t with this feeling on any mother, I don’t wish this situation on any child. I only want it to pass. I have felt my daughter very strange; something is changing in her. All I want is for this phase to be one of those that is quick to pass, because for me it has already lasted an eternity of tears.

Ensaio fotográfico: Terapia com diversão / Photo Essay: Therapy fun (Joana)

Ensaio fotográfico: “Terapia com diversão”

por Joana Passos, mãe de Gabriela e Alice


Photo Essay: “Therapy Fun”

by Joana Passos, mother of Gabriela and Alice

 

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PORTUGUES: Gabriela boia numa piscina de cor azul-verde, apoiada com uma boia de câmara de pneu de cor rosa vibrante. Veste uma fralda de piscina de cor rosa com bolinhas brancas. Está olhando para cima, o fundo da cabeça apoiada na boia, sorrindo. Gabi é ajudada por uma mulher branca, vestida de maiô preto, que segura o joelho de Gabi com uma mão esquerda e o pé com a mão direita. A mulher parece estar fazendo caretas a Gabi, com a língua para fora. A foto foi tirada de cima olhando para baixo. / ENGLISH: Gabriela floats in a blue swimming pool, supported by a bright pink inner tube. She’s wearing a pink-and-white polka-dotted swimming diaper. She is looking up, the back of her head resting on the inner tube, smiling widely. Gabi is being helped by a white woman, dressed in a black one-piece swimsuit, who has her left hand on Gabi’s knee and her right hand on Gabi’s left foot. The woman looks to be making silly faces at Gabi, with her tongue out. The picture is taken from above, looking down.
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PORTUGUES: Gabriela está sentada, apoiada por uma mulher que está sentada atrás dela, segurando-lhe o tórax e permitindo que as costas de Gabi se apoiem na sua barriga. Gabi está olhando para a câmera com um grande sorriso no rosto. Está usando uma fralda cor de rosa com estampa de corujas. Um cacho cascateia num lado do seu rosto. A mulher detrás dela é branca, usando uma calça marrom e uma camisa branca com um desenho preto de duas mulheres de óculos escuros, e as unhas estão pintadas de vermelho. Ela está sorrindo para Gabriela, o rosto virado para baixo. / ENGLISH: Gabriela is sitting upright, supported by a woman who is seated behind her, holding her thorax and allowing Gabi’s back to rest on her stomach. Gabi is looking straight at the camera with a wide smile on her face. She is wearing a pink diaper with a design of owls on it. A curl of hair cascades down one side of her face. The woman behind her is white, wearing brown pants and a white shirt with a black design of two women in sunglasses, and red nail polish. She is smiling at Gabriela, her face turned down and away from the camera.
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PORTUGUES: Gabriela está semi-deitada numa bola grande e vermelha de pilates, apoiada nos antebraços, a cabeça erguida, olhando para frante (ao lado esquerda da imagem). Gabi está vestindo uma calça curta com estampa de onça. A bola está apoiada e segurada com um step e uma almofada vermelha. Uma mulher negra está ajudando Gabi a se equilibrar na bola e levantar o tórax: ela senta numa cadeira e segura o tórax de Gabi por debaixo das axilas, inclinando-se um pouco por cima de Gabi, seus pés descalços no chão. Ela veste uma calça jeans azul, uma blusa preta sem manga e brincos rosas. / ENGLISH: Gabriela is lying on a big red pilates ball, propped up on her forearms, her head lifted, looking straight ahead (to the left side of the image). Gabi is wearing leopard print short pants. The ball is supported and held in place with a moveable step and a red pillow. A black woman is helping her balance on the ball and lift up her upper body: she sits in a chair and holds Gabi’s thorax under her armpits, leaning slightly over Gabi, with her bare feet on the ground. She’s wearing blue jeans, a sleeveless black shirt, and pink earrings.
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PORTUGUES: Duas terapêutas mulheres, vestidas de jaleco branco, sentam no chão com Gabriela enquanto Gabriela olha para uma imagem colorida impressa. Uma das terapêutas segura a imagem, e a outra segura Gabriela no colo; braço esquerdo segurando o tronco da criança, e a mão direita posicionando sua cabeça para frente, para que ela possa olhar a imagem. No chão ao redor têm vários ítens da clínica: notas escritas à mão num papel de ofício branco, um livro de bebê com um fundo preto e uma imagem de uma flor amarela e branca, e um palete de cores pequeno. / ENGLISH: Two women therapists in white jackets sit on the floor with Gabriela as she looks at a brightly colored, printed image. One therapist is holding up the image, and the other therapist holds Gabriela in her lap; one arm helps hold up Gabi’s upper body, and the other hand positions her head forward so she can look at the image. The ground beside them is littered with items from the clinic: handwritten notes on a white sheet of printer paper, a baby book with a black background and an image of a bright yellow flower on it, and a small palette of colors.
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PORTUGUES: Gabriela senta no chão, no colo de uma terapêuta mulher, que usa uma mão para sustentar a cabeça da criança para que ela possa olhar uma tela à sua frente. Uma outra terapêuta, também mulher, segura a tela com uma mão e segura a mãozinha de Gabi com a outra. A sala está escura, e na tela tem um fundo amarelo com uma imagem de uma flor preta e branca, com um rosto sorridente no meio e com espirais nos pétalos. Gabi está usando óculos verdes e um vestido vermelho com estampa de flores. A terapêuta que segura ela está usando uma camisa verde. No espelho no fundo da foto, se vê as costas de Joana, que veste uma blusa preta e uma calça com estampa de flores tropicais. / ENGLISH: Gabriela sits on the floor, in the lap of a woman therapist who is using one hand to help Gabi hold up her head so she can look at a screen in front of her. Another woman therapist holds the screen with one hand and one of Gabi’s hands with the other. The room is darkened, and on the screen there is a yellow background with an image of a black-and-white flower, which has a smiley face in the center and spirals on the petals. Gabi has on a green pair of glasses and a red dress with a flower pattern. The therapist holding her has on a green shirt. In the mirror in the background of the photo you can see Joana’s back, and she is wearing a black shirt and tropical flower-print pants.