E se fosse o seu filho? / What if it were your child? (Flaviana)

E se fosse seu filho?

Por Flaviana Oliveira

Eu nunca imaginei que para criar minha filha com dignidade, iria ter que brigar tanto com a sociedade por falta de amor, por tanto preconceito, desunião, falta de boas políticas públicas, falta de inclusão. E sim, estou tendo que brigar, e muita, porque minha filha nasceu atípica com necessidades especiais, com a Síndrome Congênita do Zika Vírus, por um descaso do Governo, e tem que pagar ainda o preço no lugar deles.

Sem um lazer digno adaptado ainda, com vários olhares de discriminação, com rejeição. Eu sou a amiga dela pois acham que ela não será o par perfeito em um parque. Então eu viro o par perfeito dela.

Ela não tem uma cadeira adaptada para entrar no mar. Com isso damos nossos jeitinhos dela tomar um banho de mar que ela ama. Super se diverte! Mas as perguntas vem: “Mas ela pode? Ela fica na boia? Ela fica no sol? Ela fica na piscina?”

Enfim, por quê não ficaria? Eis a pergunta! 🤷🏽‍♀

Transporte público: nosso grande desafio do dia a dia. Brigas com rodoviário que não se acha na obrigação de operar esse o elevador que está ali justamente para pegar cadeirante, que não para no ponto quando vê um cadeirante, que não espera a gente sentar quando entramos no coletivo, que nos dizem desaforo porque somos “passe livre”.

E o que dizer? Eu sempre faço a pergunta: “E se fosse você no lugar dela? E se fosse o seu filho?” Mas amor pelo próximo o mundo precisa e nós agradecemos. 💪🏼🙌🏼🥰

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PORTUGUÊS: Esta é uma série de três fotos de Jhulia sobre as quais Flaviana superimpôs textos curtos. A primeira (superior meio) é uma foto de Jhulia sentada na sua cadeira de rodas num ônibus público em Salvador. Jhulia olha diretamente para a câmera, suas sobrancelhas levemente franzidas e a boca aberta, como se estivesse se queixando do passeio turbulento. Sua mão esquerda descansa sob o peito, e usa uma pulseira rosa. Seu cabelo está preso num rabo-de-cavalo alto, e usa uma camiseta colorida. O cinto que a segura na cadeira de rodas é preto e roxo escuro. Superimposto na foto estão as palavras: “Eu fico irritada com o balanço muito rápido do ônibus pois estou em uma cadeira de rodas. Seu rodoviário, e se fosse o seu filho, vc iria correr desta forma?” Na segunda foto (inferior esquerdo), Flaviana e Jhulia estão no parquinho num dia de sol. Jhulia está sentada no escorregador de plástico laranja, e Flaviana segura ela levemente para ajudá-la a descer devagar. Jhulia olha para baixo e sorri. Ela usa uma camiseta rosa, jeans, e tênis rosa, e um laço grande e verde no cabelo. Flaviana também sorri, olhando para a filha. Ela usa uma camiseta vermelha e calça preta ajustada. Seu cabelo alisado alcança a metade do peito num cabo-de-cavalo, e tem uma tatuagem grande no braço superior esquerdo. Há árvores verdes no fundo da foto, atrás delas. O texto superimposto é: “Eu busco inclusão nos parques para minha filha vítima [do] descaso do governo que nasceu com a síndrome congênita do Zika vírus. E se fosse o seu filho?” Na terceira e última foto (inferior direito), Jhulia está na água na praia, nos braços de alguém que não aparece na foto. O sol brilha sob a água esverdeada, e no fundo aparece as costas de uma mulher em traje de banho que também está aproveitando a água. Somente a parte superior de Jhulia é visível, pois a parte inferior está submergida. Ela usa um bikini de estampa branco e azul, e um laço grande e branco segura seu cabelo. Ela leva um sorriso grande no rosto, a boca aberta, olhando para algo ou alguém do lado da câmera. O texto superimposto diz: “Nas praias ainda não há aparelho adaptado para mim fica[r] no mar, por isso tenho quer [sic] ir no colo, com muitas restrições e medo pela minha limitação.” Todas as fotos pela autora. // ENGLISHThis is a series of three photos of Jhulia on which Flaviana superimposed short texts. The first (top middle) is a photo of Jhulia sitting strapped into her wheelchair on a public bus in Salvador. Jhulia is looking straight at the camera, her eyebrows slightly scrunched together and her mouth open, as if complaining about the bumpy ride. Her left hand is resting on her chest, and she is wearing a pink bracelet on her wrist. Her hair is pulled back into a high ponytail, and she is wearing a colorful pastel t-shirt. The strap securing her in her wheelchair is black and dark purple. Superimposed on the photo are the words (translated): “I get irritated with the very fast rocking of the bus, since I am in a wheelchair. Mr. busdriver, what if it were your child? Would you go so fast?” In the second photo (bottom left), Flaviana and Jhulia are at the playground on a sunny day. Jhulia is on an orange slide attached to a colorful plastic jungle gym, and Flaviana is gently holding her to help her slide down slowly. Jhulia is looking downward and smiling. She is wearing a pink t-shirt, blue jeans, and pink sneakers, and she has a big green bow in her hair. Flaviana is also smiling, looking down at her daughter. She is wearing a red t-shirt and fitted black pants. Her straightened hair hangs down to the middle of her chest in a long ponytail, and she has a large tattoo on her left upper arm. There are green trees in the background behind them. The superimposed texts reads: “I seek inclusion in playgrounds for my daughter, victim of the state’s negligence, who was born with Congenital Zika Syndrome. What if it were your child?” In the third and final photo (bottom right), Jhulia is in the water at the beach, held in the arms of someone who doesn’t appear in the frame. The sun glistens on the greenish water, and in the background there appears the upper back of a woman in a bathing suit who is also enjoying the water. Only the upper part of Jhulia’s body is visible, since the bottom half is submerged. She is wearing a blue-and-white printed bathing suit and a big white bow pulls her curly hair away from her face. She is smiling widely, her mouth open, her eyes looking at something or someone next to the camera. The superimposed text reads: “On the beaches there still isn’t equipment adapted so I can be in the ocean, so I have to go in someone’s arms, with a lot of restrictions and fear for my limitation.” All photos by the author.

 

What if it were your child?

Por Flaviana Oliveira

I never imagined that in order to raise my daughter with dignity, I would have to fight so much with society over lack of love, over so much prejudice, disunion, lack of good public policies, lack of inclusion. And yes, I’m having to fight, a lot, because my daughter was born “atypical,” with special needs, with Congenital Zika Syndrome, because of the Government’s negligence, and she’s the one who has to pay the price.

Without dignified, adapted leisure, with various discriminatory looks, with rejection. I am her friend on the playground because others think that she would not be the perfect play buddy. So I become her perfect play buddy.

She doesn’t have an adaptive chair to go in the ocean. We do our maneuvering so she can bathe in the ocean water, which she loves. She has so much fun! But the questions come: “But… can she? Can she be in the float? Can she be in the sun? Can she be in the pool?”

Well, why wouldn’t she? That’s the question! 🤷🏽‍

Public transport: our great challenge every day. Arguments with bus drivers who don’t think themselves obligated to operate the elevator that is there precisely to lift wheelchair users, who doesn’t stop at the bus stop when he sees a wheelchair user, who doesn’t wait for us to sit when we get on the bus, who insult us because we are “free pass” riders.

And what to say? I always ask the question: “What if it were you instead of her? What if it were your child?” But love for thy neighbor is something the world needs, and something we would be thankful for. 💪🏼🙌🏼🥰

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